Ah… Os beijos e os abraços
Apertados
Pois esses ficam na eterna guarida da esperança
Alcançando um lugar no norte imortal
Aguarda-me pois eu vou pelo caminho mais distante
E serei mais um na madrugada
Tirando para fora todos os momentos
Que me fazem infeliz
Vivendo a vida como um bloco de gelo
Frio…
Sem nenhum local para fugir
Sento-me e vejo a chuva
Escorregar pelas paredes de madeira
Sentido único de liberdade
E vens cavalgando pela rua
Até mim…
Enfrentando e deixando para trás tudo de mau
O Sol é o mesmo que de uma forma relativa te queimou
Não o alcanças mas que sabes que está perto da morte
Gosto de estar aqui quando posso
E tu?
Ninguém sabe onde andas
Ou para onde vais
Onde vamos?
Um grande buraco no céu…
Talvez…
Não preciso!
È um jogo que deixei de jogar
Por ter medo de ganhar
E saber no que me posso tornar
E tu não podes contar-me o que sentes…
Porque não tinha imaginação para te compreender
Sei o que sinto e o que amo
Diz-me uma côr que gostes
Uma pessoa que ames
Um animal que veneres
Diz-me que me viste assim
No gelo…
Frio…
Com a chuva contornando o meu rosto
…E continuas a remar e a correr
Até encontrares alguém
Que parece afogar-se
Encarando o poder do mar que se estende nas tuas costas
E parece acabar a tua vida
Num pequeno murmurio
Que mais parece a morte
Arrancando-te os momentos que tiveste em vida
Brincando com algum pedaço de ti
E á espera que te mostrem um novo caminho
Viras-te para o Sol e perguntas
Porque continuas a ver a chuva?
Porque ninguém te mostrou o caminho
Ou para onde devias de correr quando sentisses medo
Angustia…
Ansiedade…
Mas é tudo tão relativo…

Conheci uma mulher,
A cara dela pareceu-me estranha
Como se vivesse há já alguns anos
Disse-me que me tinha visto numa auto-estrada
Continuou a falar comigo
E continuou a olhar-me como se me conhecesse há anos
Tenho a certeza que já tinha visto a fotografia dela
Mas nunca me pareceu tão real
Pergunto-me como tudo terá sido
E ela continuava lá
Como terá sido a vida
Os sonhos
A mudança
Por detrás das rugas existem sinais ainda de esperança
A cara rigida e fria
Como se estivesse a correr contra o vento
Relaxando sobre um banco de madeira
E lá estava ela
Não existe nenhuma forma de voltar atrás
Penso que todos os pensamentos deviam de ser maiores que ela
E ela conhecia-me
Por dentro
Como se fosse os dedos
E eu os acordes de uma guitarra
Sorrindo…
Nada mudou
Mas a poção mágica fez desaparecer um velho amigo
Uma estranha
E continuo á espera do que vai acontecer a seguir
Antes de ela olhar para mim de novo…
De me sorrir
E de chorar…

São tempos como estes que nos fazem viver
E Aprender de novo…
Não te faz sentir mal quando apagas a luz!!!
Vês caras estranhas no escuro
Pensas por momentos que não estás sozinho
Ninguém vai aparecer para te ver
E não tens lugar onde ficar
Ninguém te ouve
Nada é o que estás a pensar…
Chorar não ajuda, e rezar está fora dos teus limites
Mas se continuar a chover vais desejar morrer
E no fundo sabes onde irá dar esse caminho
Já lá estiveste
E continuas a ir ao fundo
Ao fundo…
Bem fundo.
Mas tens o que precisas para vires a cima
E continuares um caminho distante
E sentes-te mal quando tentas alcançar uma porta
De alguém para te ajudar
Olhas as estátuas de reis á tua volta
Estátuas erguidas em nome de algo que não valorizas
A noite passada foi em branco
E no Sábado vais para fora
Eu não quero ficar parado
E ver a vida passar
Como uma estátua que se ergue de encontro á multidão que passa
Ah…
Possuis tantos sentidos
Mas só um deles te possibilita a visão
De algo
Que esqueceste no tempo…
Procura-o
No fundo, no fundo…
Procura
Bem fundo…
Porque também sabes que vai fugir-te de novo

Nesta curva tão simples e insinuante
Que é a vida…
Deito-me suavemente…
E mais logo
Quando a noite dorme
E as estrelas ficam por detrás da Lua
Cubro a madrugada com algum suor
Sentindo a vida que corre
Dizendo-te adeus…
Tropeçando na ternura de um olhar
Alimentando-me de um sorriso
Lamentando as saudades e os outros sorrisos
Subtilmente desvendando a forma como sorris
Mas em vão…
Buscando a eterna luz
Precisava que ficasses junto a mim
Como a dor que me consome
Para assim retirares toda a essência do meu ser
E sugares todo o carinho que tenho ainda
Antes que venha o frio e a eterna madrugada
Antes mesmo de eu virar as costas e subir mais alto
Subir pelo mar e descansar sobre as ondas
Pablo… perguntaste uma vez se o “âmbar contêm as lágrimas das sereias?”
Não sei responder-te
Mas sei que algumas gotas do mar
Contêm algumas das minhas lágrimas
Algumas delas ainda batem nas rochas
Como fortes ondas de paixão…
Ou suaves ondas de amor
Ondas sublimes de descanço
Ondas de dor
Lágrimas de prazer…
Sendo o âmbar algo invulgar
E a sereia misteriosa