Pego numa caneta e perco o sentido
Escrevo e desafio-me
A minha alma define-se ao fim de algumas linhas
Não tenho qualquer intenção de ganhar dinheiro
Ou mesmo ser conhecido ou reconhecido
Apenas que as minhas palavras
Formem um livro aberto para a minha pessoa
Mostrem os meus mais intimos desejos
Nada mais…
Assim que entro no profundo sentimento que me consome
Sinto que consigo escrever milhões de páginas
Sobre o que me envolve
Pensamentos…
Ideais…
Ideias…
Tormentos…
Alegrias ou tristezas…
Por momentos ou por vários tempos
Sinto-me pairar como se voasse
Por todos os locais onde gostaria de passar
E olho para trás e persigo o meu pensamento
Ora descontente
Ora feliz
Mas sempre envolvido em puro sentimento
Tento enganar a minha mão para que ela escreva
De forma diferente
Mas sou impulsionado para descrever
O que mais de real existe cá dentro
Sem pensar
Sem cuidado com a palavra
Ou modo de escrita…
Por vezes sinto que a minha caneta me compreende
E escreve por ela o que sente sobre mim
A minha mão agarra-se com força
O papel torna-se áspero
O cheiro da tinta torna-se um companheiro
O suor…
E por vezes lágrimas!
Que caem em folhas de papel
Nada mais existe senão…
A minha alma e esta forma de a descrever
Intensamente
Sem qualquer sinal de corrupção
Ou evasão
Por vezes a minha caneta pára!
A minha cadeira estremece
Como se tratasse de um vulcão
A minha alma chora
E o meu corpo mostra uma forte emoção
Por vezes…
Na madrugada…
Aguardo sempre por um estado de consciencia
Que me permita descrever como realmente sou…

E caminho, e caminho…
Por ruas que já são conhecidas
Cometendo os mesmo erros
E cada vez mais próximo da morte
E a cada ano que passa
A vida fica mais curta
Obrigando-me a agarrar recordações
Memórias…
E outras coisas que teimo em relembrar
Amando a noite e tudo o que me faz feliz
A qualquer hora…
Para desvendar a alma que ainda tenho
Temendo a morte em doses suaves
Ou morrendo inconscientemente
Sobre um palco de sangue
Ah…
Como gostava de ser um pássaro
Para voar pela multidão
Enchendo o peito e batendo asas
De encontro ao Sol
E reencontrar a música que me faz sorrir

Sinto falta das coisas insignificantes que mais amei na vida…
E quanto mais tempo passa
Poucas são as vezes que as relembro
Talvez se tenham perdido na memória
Ou talvez se tenham tornado parte de recordações fúteis
Acontece que algumas se tornaram mais presentes
Umas pela ideia do que se passou
Ou se pensa ter passado
Outras pelo simples facto de o ódio se ter tornado um aliado
Todas elas não são já reais
Ou foram-no demasiado em tempos
Amando cada momento vou…
Porque não sei quando estes momentos
Se poderão tornar apenas simples recordações
E quero vivê-los intensamente
Pois não saberia viver de outra forma
Talvez o ódio se tenha transformado em vivência
Ou prazer de estar vivo e viver
Tentando crescer no interior
E ao fim de algum tempo
Substitui-se o ódio pela compreensão
E damos lugar á experiencia de vida
Vida que teimo em viver
Com esperança de algo diferente…
Grandioso ou ainda com algum brilho
Brilho que tive em tempos…
Sinto falta das coisas que amei intensamente
Em qualquer momento
E as que amei profundamente
Jazem no meu pensamento recorrente

Alguns chamam-lhe paraíso
Outros atiram-se para o chão e choram
Na verdade todos lhe tocam
Mas os olhos não os vêem no escuro
…A mente memorizou o sentimento

Quem és tu e porque ficas no escuro?
Por detrás de uma tela branca
Onde andas e para onde vais?

Brincando com o Universo
Abrindo e reabrindo portas
Para o desconhecido…

Onde pensas que as estátuas te levam?
Não falam…
Nem te ouvem sequer…
Parado estás no mundo
Seguido pelo vento

A música
Psicadélica…
Envolve-te num abraço terno e continuo

Tudo tem de ser assim
Mas ainda não conheço o meu medo mais profundo
Todos estamos cansados e dançamos
Na noite…

Onde está a festa
E o vinho?
Onde estás tu neste circulo de temperamentos

Adeus infame burguesa
Culta de palavras
Fraca de pensamentos

Onde estão os teus amigos?
Junto a um poço
Presos na tua teia

Não tens amigos!
Possessão é a palavra que significas…
Controlas a tua vida por regras…

Infame Burguesa
Perdeste o encanto…

Então pensas que estou aqui…
Que Estive…
Por alguns anos
Pensaste que pudeste dizer tudo o que quizeste
Pensaste que me ofendias com os teus heróis
Tudo o que te falta é uma brisa de amor
Que nunca tiveste
E viveste numa jaula
Mas alguém perdeu chave
Como consegues perder a vontade de viver em tão pouco tempo?
Ès uma alma que viveu a correr
Ano após ano
E continuas com os mesmos medos
As mesmas atitudes
Os mesmos fantasmas
E Segues o caminho incerto pelas ruas antigas
Se alguém se junta a ti
São duas almas que tentam alcançar fins diferentes
Num mesmo rumo
Sem fim
Até ao tumulo
O céu é o limite
Então anda…
Salta o muro e voa
Em direcção a norte
Corre sobre a água
E toca no reflexo da lua
O espectáculo tem de começar…
Em espaços vazios
Adeus céu azul…

Fantasia…
È bom ver que te enganas por detrás desse teu ar rebelde
E como te enganas…
Quem sou eu para sentir que sou a pessoa mais infeliz no mundo?!
Sim sinto-me infeliz
Mas não a esse ponto que tanto fazes questão de imaginar
O pássaro que olha a serpente
È apenas um pássaro…
Nada tem a ver contigo
Mas a serpente sim… tem a ver comigo
As coisas nunca são leveza para ninguém
Devias conhecer-me…
Pelo menos nesse campo
Afinal…
Noites de conversa
A viagem…
Nunca até ao centro da terra…
Mas tentando desvendar o que anda por dentro de mim…
È cruel da tua parte
Deduzires que penso
Que sou a pessoa que pior se sente
Nunca fui assim e nunca serei
Todos temos a nossa forma de sofrer
Á nossa maneira…
Cabe a cada um olhar para o outro e interpretar
Da forma como nos é mais fácil ou mais alheia
Mas que se enterrem as palavras
Porque estas ficam sempre áquem do que se sente
E o que se sente fica longe
Do que se deduz
Pois já vimos que é assim
E assim será
Mas nada de fantasia
Não existe aqui…
Pois aqui estamos sós

Tocamos nas almas de um do outro…
Beijo-te para além do corpo
Agora que vejo o horizonte que eu não via
Mas docemente sonhava
E…
Beijo-te para além de tudo
Como se as nossas almas pudessem ter um rosto
Beijo-te na presença do mar…
E no silêncio das ondas…
Beijo-te e sinto que me tocas na alma
Assim como quero tocar na tua alma…
Encanta-me também a fome que tens de me beijar…
E conheco-te como se ontem fosse o ultimo dia da eternidade…
E conheces-me como eu me conheço…

Palavras frias…
Desmedidas…
Piano…
Sofrendo desmedidamente alguém disse
Uma vasta praia de corpos nus
Ah eu queria lá estar
Queria mesmo…
E o teatro…
Um Pássaro contempla a morte da cobra
A noção de querer já se foi há muito tempo
Os fantasmas afastam-se perante uma noite intensa
Também me entristece tudo isto sabes…
Também me entristece…
E magoa-me também
Parece que não tem um fim
E como tanto sabes continuo a andar em círculos
Como se nunca soubesse onde está o norte…
Será que a floresta tem um fim?
Eu conto-te uma história sobre um homem
Que nunca soube como tudo começou
Obedecia à lua
E contava pelos dedos
Todos nós temos um número a representar
Procurava uma resposta em vez de um caminho
Piano…
Teclas suaves e doces
Embalam-me em noites quentes
Suavemente fecho os olhos e deixo-me levar
Pela música que ecoa pelas paredes
Entre ruídos loucos e desajeitados
E pessoas que riem
E eu estou aqui
E tu estás ai
E nós continuamos por ai…
Desmedidas…
As palavras
Por detrás de uma cortina selada
Onde ninguém ousou tocar
Senão tu…
Que as descobriste por entre os olhos
Que tanto pretendes entender…
O meu único desejo é ver no que tudo isto se poderá tornar
Porque estou cansado
E nesta noite antes de me ir embora
Quero dizer que sinto falta de ser eu…

Nem tudo necessita de ser evidente
Mas existe sempre algo que precisa de ser detalhado

James Baldwin disse:
“Nem tudo o que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado”

Enquanto não enfrentar sozinho
Ninguém mais pode ajudar…
Podendo até correr o risco de regredir o que foi atingido até então
Imaginaste mal… Também tenho saudade
Lisboa vista do miradouro é mais bonita do que vivida por dentro…