Amo-te aqui…
Onde ninguém te vê
E todos te sentem
Onde o mar toca os meus sentidos
E me acorda para te descrever
Amo-te aqui e ali…
Onde o som da tua voz
Se confunde com o ruído suave da noite
Onde as estrelas
Sussurram pelos cantos do universo
Amo-te cá…
Num local onde a Lua nunca tocou
E a madrugada em tempo algum ousou pousar
Onde a vibração dos corpos é eternamente intensa
E os anjos se embriagam levemente
Amo-te…
Como se algum dia esperasse o fim da eternidade
Para te deixar um beijo no rosto

Fui tão longe mas não me sinto diferente
Talvez maduro
Continuo ainda à espera que me levem daqui
Que dirão eles?
Ele foi um bom homem
Entrou na escuridão e continuou a andar
Nunca parou
Ele foi um assassino eremítico
Quem sabe um domador
Das palavras que saíram como gritos
Gritos alucinados de prazer…
Um puzzle de pensamentos e ideias
Uma visão aberta sobre a alma
Foi um sonhador
Um amante tranquilo
Já nem sei se hei-de sonhar
Ou até amar
E deixei-me amar
Talvez nem seja já eu que estou aqui

Seduz-me seda pura
Porque a noite é mesmo assim
Voa sobre o meu tempo
E ri-te da madrugada
Quero ver-te com o meu pó nas tuas mãos
Quero sentir que viajas no meu mundo
Enquanto te acompanho com as minhas asas
Percorrendo uma estrada diferente
Um atalho…
Um caminho oculto por entre as margens de um rio
Ah… Como é áspero este amor
Por vezes com falta de alguns tons de azul

Não te sentes isolado?
Quando caminhas por uma longa estrada
Quando te sentes afastado por esta solidão
Que se alastra dia após dia
Como uma epidemia de sentimentos
Convulsos…
Sentes-te assombrado pela memória
Pela vasta recordação de ser o que se foi
Tentas pedir ajuda
Subornas o teu sentimento mais profundo
E alcanças algum extremo que te deixa de perturbar
Medo…
Quero contar-te um segredo
Mas a minha boca está seca
E não há espaço para as palavras que te quero dar
Mas…
Venda-me os olhos e deixa-me pintar um sorriso…
Legar-te uma flor
Acariciar-te um beijo
Dar-te um poema
Deixa-me abandonar a minha cabeça no teu ombro
E descansar na tua presença eterna

Nem uma palavra…
Nem uma única
O quarto está escuro
A vela apaga suavemente
Por momentos passaram por mim
Dois minutos,
Duas horas,
Dois Anos,
Duas vidas…
Um êxtase de pensamentos,
E um pássaro infeliz…
Pela manhã sai para a cidade
E procurei-me no meio de corpos desenfreados
Não me encontrei…
Estava à beira de me enganar de novo
E se eu não conseguir ir até ao fundo
Irei aonde a minha alma me deixar
Irei onde eu me cansar
Será que irei?
Até onde houver estrada para andar eu vou
Vou caminhando
Dois minutos…
Foram antes dois dias…
Fui dormir no chão com alguma dor de cabeça
Deitei-me junto à janela
E morri uma vez mais
Como tantas outras…
Em tantas mais páginas
Mais uma…
Sozinho
Mais uma madrugada
Cansado
Imprudente
Pálido
Inconstante
Sonhador
Morri uma vez mais…
Por momentos pensei que não queria mais respirar
Mas depois lembro-me como é sempre bom acordar
De manhã
Hum, e como é bom…
Há se vocês soubessem…
Ao ser incauto torno-me fraco
Sou mutável…
Instável
Variante
Sou eu assim
Não sei porquê…
Não me perguntes porquê…
Sou aquele que sonha fatigado
De percorrer um caminho incerto
Talvez amargurado!
O que seria a vida
Sem de vez em quando saborear um sabor
Amargo adocicado
Será a vida um apocalipse de doces desejos inatingíveis?

Amo intensamente…
Porque só assim consigo saborear
O verdadeiro paladar do amor…
Só desta forma alcanço
A qualidade que me é descrita
Pelos mais altos poetas
Amo intensamente…
Porque só assim consigo amar
E procuro descrever-me
Em mais um conjunto de frases
Que devolvem a sua verdade
A respeito deste teatro de palavras
Que formam esta representação fiel da minha alma

De olhos vendados
Descubro a imprudência triste
De um homem louco
Tentando alcançar algo que encontro lentamente
Caio por vezes
Num buraco fundo de silêncio
Oculto na noite eterna dos meus olhos
Nada mais existe senão o meu toque
Sobrenatural…
Ouço por vezes vozes do passado
Mas presentes no meu ouvido
As palavras encobertas no meu ser
Sentado ali…
A água junto de mim
O tempo parece já nem passar por aqui
Escrevo algumas frases
Que ouso pensar
Outras que nem sequer quero registar
Algumas nem as quero compreender
Sem alguém com quem falar
Perco-me neste lugar
E procuro seduzir a minha alma
Para que me leve a uma memória distante
Arriscando-me a morrer de novo aqui
Busco em ti um beijo mais profundo que este mistério

Sou a porta
Sou um Touro
Sou a casa
Uma casinha…
Sou as paredes que ávidamente percorri
Sou a chave…
Jamais serei o pensamento que entra bruscamente
Sou uma página
Um livro…
Sou a capa que me envolve
E me destrói lentamente
Sou eu ofuscando-me com o peso
Das minhas páginas antigas
Das memórias e recordações…
Sou o tempo
Sou o vento
Sou a chuva que destrói as palavras
Sou a alma que me preenche
E me mata lentamente
Sou o cheiro da terra molhada
Sou o cheiro…
Sou um pedaço
Um pedaço de homem
Ora feliz
Ora descontente
Sou assim
Como quero ser

Asfixia-me o mundo
Sufoca-me e prende-me este universo
Asfixia-me a vida
Mata-me a noite
No eterno silêncio da madrugada
Estou farto deste universo selado
Para onde não consigo fugir
Estou farto da dúvida
E de beber água em locais secos
Estou farto deste barco que se naufraga
Num oceano de temperamentos intemporais
A todo o momento…
Quero sair e não consigo
Quero brotar e não me deixam
Asfixiam-me as palavras
Os contos
As vidas
Quero viver e não consigo
Sufoca-me este meu ser ausente…