Passaram séculos…
Quartos de Lua
E algumas páginas de tinta
Absorvidas pelo tempo
Outrora sabores intensos
Ao mesmo tempo amargos
Foge-se para longe
Para conquistar o que está perto
Aguardo aqui numa noite quente
A jaula do mundo não me deixa respirar
Mas penetro no meu Universo
Torno-me o próprio mundo
Mas não me vejo na noite
Estou só a fingir…
Quando quiser levanto-me
Continuo a sentir-me fechado
Não devia temer a mudança…
Temo-a…
Mas não significa que morri
Sinto-lhe o gosto doce
Se não acreditas…
Sente a luz…
Sozinho no templo do desconhecido
Esquece o teu nome
Fecha os olhos…
E sente-te livre
Sente a tua alma…
Não significa que morreste
Simplesmente acordaste
Se não te fizer sorrir…
Também não tens de chorar
Se as minhas palavras não fizerem sentido…
Deixa-as voar livremente…
Encontrarás um sentido
E elas encontram o seu rumo…

Passo pela sombra do meu viver
Deixo uma lembrança de papel
Um copo de champanhe,
E uma palavra desmedida
Deixo ali um delírio divino…
Aqui um olhar marcante e a minha presença
Por segundos deixo também a minha alma
Talvez transborde um dia de alegria
Parto então para outro lugar
Vou agora…
Delineei já um plano para conquistar o Oceano
E vou roubar a Lua da noite!
Vou fazer uma viagem pelo Sol
Mais tarde descanso no Universo…
Vou deixá-los falar do mundo antigo
Os Deuses de outros tempos…
Vou ouvir histórias rústicas
E saber dos seres astrais…

Falamos com estranhos por vezes
Estranhos que se tornam reais
Reais como nós que respiram
Que sentem…
E que nos falam coisas que queremos ouvir
Às vezes falamos com mulheres
Outras com homens
Almas do mundo
Desperta-me o sentido de resumir em páginas tantas
O que sinto…
O que sinto em ti
Os estranhos tornam-se amigos
E amigos tornam-se inesquecíveis
São linhas paralelas que traçam um mesmo caminho
Unicamente com destinos diferentes
Mas na continuação da vida são paralelas…
Estranhos como tu que não conheço…
Mas sei que existes
Por vezes os olhos
Não divulgam a importância do próprio ser
Contudo as palavras são directas
São fortes
São robustas
Cruéis ou frias
E certas vezes são a única coisa
Que podes dar de ti a alguém
Palavras simples, puras
Estas são para ti que não conheço

Pode parecer estranho
Mas escrevo para alguém que nunca vi
Um sentimento procura abrigo
Descrevo-o em palavras
Espero que não te importes
Sei que não é muito mas é o melhor que faço
E este é para ti que os meus olhos nunca viram
Parece-me até simples de o escrever
Sento-me penso em ti
Estás entre o silêncio e a beleza do mistério
Talvez por vezes eu já não veja o mundo azul
Mas se fosse pintor pintava um sorriso teu
Para me relembrar o que o mundo tem de bom
Escrever é a minha paixão…
Podes gritar ao mundo que este poema é teu
Sento-me na cadeira e escrevo durante tempos
Rastejo pela minha alma
Enquanto escrevo algumas linhas
Espero que não te importes
Mas coloquei-o em palavras
È bom ter-te aqui mesmo que de longe
Então desculpa-me qualquer palavra
Mas esqueço-me por vezes onde estou
Ou do silêncio que me rodeia
Nem sei o que significo…
E o que realmente quero dizer
Não passa de simples palavras
Mas é que és daquelas pessoas
Que me dão força para continuar
Podes gritar ao mundo este é teu!
Agora que o acabei parece-me singelo
Um tanto natural
Talvez Etéreo…

Acordas na noite…
Sem saberes para onde ir
Os teus olhos estão cerrados
E dói-te o peito de não sorrir
As tuas mãos buscam avidamente algo
Que se distinga da sombra do teu viver
Os teus olhos não se abrem…
Rasgam-se!
E tudo o que alcanças é a parede fria do teu quarto
Rompem-se os lençóis em fúria
E alguém parece descobrir-te na madrugada
O silêncio do teu quarto é febril
Corres pela casa e acendes as luzes
Mas continuas sozinho…
O ar que respiras torna-se o teu refúgio
A tua mente engana-te com os seus truques
Gritas para quem não te ouve
Falas com os mortos que não existem
E deixas-te embalar na tua solidão
O medo ofusca a tua noite
A ansiedade toma conta do teu caminho
E deixas de viver o teu mundo
Tornas-te escravo dos teus receios
Reinventas só para ti em segundos
Toda a moral dos Homens
E descobres que nada faz sentido sem as tuas mãos
Não! O mundo não te abandonou…
Tu deixaste de o respirar…
E já não deixas entrar estranhos
Será a idade da tua existência?
Ou é o teu instinto a revelar-se
Animal selvagem desamparado
Jamais temas a noite e o que dela faz parte…
Vais levantar-te e erguer-te perante o teu mundo
E serás o Rei que flutuou no teu próprio abismo
Jamais temas perder…
Porque nas vitórias pouco tens aprendido
Nas tuas derrotas aprendes a erguer-te cada vez mais forte
E se caíres desamparado…
Ergue-te devagar…
Para vislumbrares os erros que cometeste