Meu Deus deixa-me ser livre
Como a estrada que me guia
Assim como uma pátria sem bandeira
Como a chuva que trás água à terra seca
Deixa-me respirar de novo
Ensinaste-me a voar…
E agora cortas-me as asas
Estou cansado…
Deixa-me ser eu mesmo…
Sinto-me como uma vela apagada
No canto de uma sala vazia
Dá-me luz…
E fica na minha companhia
Morro cada vez que tu te vais…
Dá-me guarida
Não conserves mais a minha solidão
A estrada tem sido demasiado longa
Para compreender que não és as estrelas mas sim a noite

Por vezes não há quem compreenda as palavras
Nascem de mim…
Algumas delas contêm toda a minha essência
Encerram todo o meu sorriso
Incluem-se em mim
E eu…
Incluo-me nelas…
De tal forma
Que se conservam para sempre
Narram a minha vida
E cravam no mundo a minha vivência
Deixam-se flutuar pelo tempo
E mantêm-se unidas…
Formam aquele conjunto de sentimentos
Tão complexos e livres
Tão geniais no seu universo
Que se deixam deambular pela eternidade
Por vezes as palavras são tão brutais
Que não as quero escrever…
Nem as ouso pensar…
Andam lado a lado com a solidão
Têm diálogos com o meu ser triste
Sorriem com a satisfação
Rio-me delas e com elas
E sei que elas, as palavras contêm toda a minha vida

Navego uma vez mais pelo meu instinto primário
Abraço o mar num movimento voraz
Perco-me no sentido único que me mantém livre
Quatro oceanos fundem-se num só
E a minha cabeça roda a alta velocidade
Mergulho, deixo-me levar pela corrente
Energia pura e inocente…
A vibração das ondas, este som carregado de doçura
Retorna-me as lembranças da minha tribo
E devolve-me a esperança do meu reencontro
O tempo passa mas não muito
São seis da manhã…
Os primeiros raios de sol alimentam-me
Satisfaço a minha fome com esta droga genial
Deambulo anestesiado por momentos
E não me sinto monopolizado…
Peço unicamente permissão a deus
A ousadia que uso… um simples mantra
È um privilégio viver
Mas um desperdício morrer…
Sem sentir que estive realmente vivo

O outro lado da manhã
Submersa na solidão…
Como forma de derrota
Temos os audazes
E alguns hipócritas
Sacrificam a vida pela riqueza
Abundante…
Cada dia mais um dia
A cruel disputa do odor nojento
Os doutores e as doutrinas
Vagas disputas de caras mal lavadas
Por onde passo tiro-lhes o chapéu…
Dou-lhes três dentadas…
Na ferida que não sentem
Não são a farpela que adornam
Nem le mobile que conduzem
Apenas um número de animais
Num rebanho pequeno…
Compõem uma companhia teatral ambulante
Que me faz rir a todo instante

Se continuar a agarrar-me ao momento
Talvez tudo o resto passe ao lado
E não vejo o que me resta
Senão o que já passou
E passou a noite inteira
E não teve significado…
Seguro uma vela para não me sentir sozinho
A luz partilha da mesma ausência
Acendo um incenso…
Não vejo a diferença que faz o meu silêncio
Perpassa o meu sonho
E o tempo não volta para trás
Volto eu…
È que realmente a vida tem valor
Se dermos valor ao tempo
Mas o tempo… esse invejoso…
Anda de mãos dadas com a oportunidade
Esse mutante dos acontecimentos…
Opõe-se a cada dia
À minha representação da eternidade
E desfaz os sonhos não feitos

Ouvem-se as ondas do mar
Os grilos fazem um bacanal de sons
As pessoas divertem-se…
As escadas ficam voltadas para a praia
Ouve-se uma guitarra de noite
È a minha e sou eu que toco…
Um grupo de pessoas vem sentar-se perto de mim
Era a minha noite de aniversário
Agora, tudo parece ter uma sintonia
È este presente humilde que partilho aqui
Ao mesmo tempo tão doce
Mais tarde de madrugada entrei no bar da praia…
O som… Uma Bossa melodiosa
A ausência das pessoas…
Manteve a calma que eu queria ter
Pela manhã as pessoas encontram-se
Todos vão á Mabi…
Eu vou ao Da pietro…

Este não é um poema, faço trinta anos hoje dia 3 de setembro de 2007 e quero deixar uma mensagem especial para todos os meus amigos.

Vivemos presos no meio do mundo, um mundo que nós proprios criamos, temos momentos de amizade uns com os outros, mas nunca ou raramente nos libertamos desse mundo.
Concebemos a solidão mas temos medo dela, não a disfrutamos como se disfruta de uma boa amizade, esta é uma amizade com o nosso eu interior.
No entanto o ser humano que saiba estar só, sabe viver no mundo porque a ele nada mais lhe faz falta, ele basta-se a ele próprio e vai disfrutando do mundo em “doses suaves”.
Todo o homem deveria usufruir de momentos de solidão, e solidão ao contrário do que muita gente pensa não é sinónimo de tristeza mas sim de sabedoria, pesquisa interior, filosofia, entre tantas outras palavras que possam descrever a forma de ser livre e viver no mundo mas não dentro dele.
A solidão obriga-nos também a pensar sobre os erros que cometemos e ajuda na sua resolução interior para depois os resolvermos no exterior.
Portanto meus amigos, todos, os de coração, os que estão longe, os que estão perto, os que estão comigo no meu pensamento, agradeço-vos a todos o facto de quererem estar comigo neste dia tão especial para mim, mas encontro-me num local onde me consigo reencontrar como pessoa e ou ser humano que sou, gostava que todos estivessem comigo neste dia, palavra que gostava, era o que mais queria.
Mas neste dia tão especial decidi querer estar sozinho neste local maravilhoso, unicamente estará comigo algumas horas a minha mãe, esse ser maravilhoso e belo que me ajuda em todos os momentos da minha vida, é com emoção e convicção que escrevo que te amo mãe.
Muitos de voçês já me ligaram a dizer que sou louco e até sou de certa forma. Mas viver é isto mesmo é ser louco, uns dias são solitários outros são recheados de amizade, alegria e por vezes tristeza. Aqui encontro-me quando ando perdido, aqui faço paz comigo e com Deus, aqui mantenho aberto o meu espirito para que com ele se façam coisas boas e positivas na minha vida.
Qualquer ser humano deveria usufruir deste bem, desta paz interior. Hoje não vou escrever poesia, ou algo parecido, ao contrário quero deixar algumas palavras vindas do meu interior.
Aqui ouço as ondas do mar que batem levemente na areia e formam um ruido belo, adormeço com este som suave e mantenho-me distante do pensamento. Mantenho-me perto da minha essência, aqui sou livre. A liberdade existe no mar e é tão vasta quanto ele.
Aqui ouço o riso das crianças brincarem na areia, são felizes, ouço as gaivotas, ouço as pessoas, os velhos e as ondas batem na areia. O mar é calmo e ofusca a solidão, também me dá prazer o Sol e faz de mim um ser feliz. Este mar é tão meu confidente que o procuro em qualquer praia, cabo ou ravina.
Aqui neste pontão ninguém me vê chorar ou rir. Ninguém me ouve, ninguém me fala. Aqui sou eu livre e puro.

Obrigado a todos por estes trinta anos, quero-vos junto a mim pela eternidade do mundo, junto a mim. Amo-vos meus amigos, a todos.

Guilherme ou Gui, Guilhas