Estou a olhar para o céu
Tento não morrer…
Experimento não voar
É de noite e não quero voltar para casa
È tempo de dizer adeus
È tempo de ir
Meu Deus leva-me para casa
Já é tarde…
E quero viver
A noite está por ai…
E parece que vai durar uma eternidade
Quero sentir-me aqui
Quero viver este meu momento
Sozinho com os sons que só eu sei ouvir
Que só eu sei entender e pensar
E que me devolvem o brilho da serenidade
Que tento alcançar a cada instante

Às vezes são as palavras que morrem
E não os sentimentos que as fazem nascer…
Parece que já estivemos aqui antes
E não nos conseguimos olhar nos olhos
Somos anjos que flutuam como penas
Serpenteamos como sentinelas em alerta
Sem estarmos por perto estamos junto
E por vezes nem sabemos o que fazemos aqui
Nem pertencemos ali
Mas queremos estar mais além…
Então as palavras são as ninfas do sentir
As verdadeiras deusas perfeitas do instinto
São elas que se envolvem e se desenvolvem
Amam-se e odeiam-se
Choram e riem

Tenho medo desta nova esperança
Parece que cresce dentro de mim
Como se fosse uma flor
Que nunca lhe senti o cheiro
Talvez queira ser melhor do que antes
Mas… durante a manhã sinto que preciso de mais
Ao entardecer, não quero o tanto que me oferecem
Por vezes não me faz falta o que tenho
Só me apetece estar sozinho no final da rua
Quando a noite chega não quero nada que tenha forma
Só quero sentir a minha alma
Sem necessidade de moeda de troca
Perto da natureza, acampar com os sons da noite
Talvez seja louco, talvez…
Quero apenas ser o que sou e estar perto dela
E encontrar um novo caminho…

Quando passarem por aqui
Lembrem-se que sou um artista
As palavras aqui descritas
São apenas a busca interior pela minha alma
Pintada ou colorida por vezes…
Apesar de cansado,
Não as pinto com tinta de ódio
Nem com força de homem cruel
Escrevo-as com cristais puros
E espalho-as aqui em forma de âmbar
Licor das profundezas por onde andei
Preferi morrer cem mil vezes…
Do que viver amarrado
Caminhei na penumbra da noite
Para sentir a brisa da liberdade
Quando aqui chegarem…
Lembrem-se que por cá já passei
Não sou mais do que um caminheiro
Desta estrada que é a vida
A sociedade é uma louca que nos rouba os sonhos
Não tem piedade de nós
E não fica triste quando nos vamos embora

Vou-me embora daqui…
Desço a avenida e desapareço
Adeus amigos, pecadores e santos
Não existe um tecto aqui
Nada que me sustente
Desapareceu a base
Enquanto caminho por aí…
Tenho plena consciência que desapareço
Assim como estou triste
Por vezes também estou contente
Guardo essa experiência interior
A minha sombra caminha comigo
E não a deixo para trás
Tenho esta vida
E vou andar por aqui até morrer