Vês estes olhos?

Tão escondidos do mundo

Não se dão a ver

Alcançaram em tão pouco tempo

O mundo que tocaram

O mundo que quiseram ver

E perderam-se tantas vezes que perdi a conta

Percorreram distâncias que poucos tocaram

E aqui estão eles!

Uns olhos que de tão cansados

Se decidiram misturar com a multidão que não os conhece

Não os desvenda…

Nem quer saber

E aqui ninguém os vê ou sente

Ninguém os vê com olhos de ver

Ninguém os toca

È divino quando não nos conhecem

Quando passamos ao lado

Quando nos passam ao lado

Por momentos sou quem mais sou

Eu mesmo num turbilhão desperto

Longe, mas de mim tão perto

E ninguém sabe por onde andei

Só eu sei o quanto aqui estou

O quanto fui e quanto amei

De tanto cair me levantei

E aqui estou passo e ando

Corro e não descanso

Porque sou eu

Sem ter mais ninguém

Só eu

Quando passam não sei quem são

Não se mostram como eu

Não me deixo ver

Não me deixo…

E quero esta solidão

Só para mim

È que ás vezes sinto-me egoista

E a solidão é a companheira dos lugares

Tão bem caminhados

Somos irmãos

Tornou-se sangue do meu sangue

Parte da minha carne

Lágrimas das minhas lágrimas

È assim que passo por quem me olha

Não se conhece…

E não me conhece