Meditação é a cafeína do século XXI

Cada vez mais as pessoas recorrem à meditação como forma de relaxamento e acabam muitas vezes por atingir um nível de bem estar e paz interior que não conseguem atingir em outras circunstâncias. Isto acontece porque o ato de meditar leva ao relaxamento natural do nosso corpo e a nossa mente fica tranquila de forma natural, tornando-nos mais conscientes dos nossos estados mentais.

   Algumas empresas têm vindo pouco a pouco a reconhecer o contributo desta actividade. A meditação torna-nos mais produtivos e tem um impacto directo na forma como encaramos os nossos problemas, para além de promover o conhecimento de si mesmo, estudos científicos recentes revelam que a prática regular da meditação altera a estrutura física do nosso cérebro criando uma capa mais grossa de células no córtex cerebral, concluíram também que as pessoas que meditam há vários anos possuem no córtex cerebral mais ligações entre os neurónios do que em indivíduos que nunca praticaram meditação, outra descoberta interessante é que a quantidade de comunicação entre células cerebrais(sinapses) aumenta à medida que a prática se torna recorrente na vida do praticante, para além de outras descobertas interessantes.

   As exigências da vida profissional e pessoal geram níveis de stress de tal forma elevados que levam muitas pessoas ao colapso, o stress acumulado conduz-nos a graves problemas de saúde uma vez que as hormonas do stress são libertadas no nosso organismo, dá-se um conjunto de reacções que afectam drasticamente o nosso corpo e a nossa mente que muitas das vezes resultam em falta de auto-estima, envelhecimento prematuro entre outros problemas.

   A meditação ajuda a eliminar o stress e a tensão do dia-a-dia, tendo em conta que protege o cérebro e o seu corpo destes efeitos colaterais negativos, uma sessão de meditação tem o poder de reparar o nosso corpo em cerca de 40% a mais do que uma noite de sono.

   As pessoas que conheço e que praticam meditação há alguns anos, muitas aprenderam a meditar em conjunto com outras pessoas, em aulas de Yoga, artes marciais, livros, ou outros, no meu caso particular há cerca de 25 anos que tive contacto, mas confesso que só dediquei realmente tempo à prática há poucos meses atrás. Se não tem oportunidade ou tempo disponível para participar em actividades de grupo, aconselho a comprar um bom livro sobre meditação e deixo-lhe também aqui alguns conselhos simples e dicas essenciais para quem deseja iniciar a prática:

    Arranje um lugar de preferência a uma altura do dia em que ninguém o incomode durante cerca de 15 a 30 minutos, deverá ter o mínimo de distracções possíveis e sem ruído.

   A postura é importante, a coluna deverá estar direita, é de extrema importância para a prática da meditação, se não tiver o devido cuidado poderá sentir-se ocasionalmente desconfortável durante a sua sessão portanto corriga a sua postura desde o inicio desta forma estará a fazer com que a sua sessão seja o mais relaxante e produtiva possível. Eu costumo meditar na posição tradicional isto é sentado de pernas cruzadas, utilizo uma almofada para dar apoio à coluna mas pode também optar por sentar-se numa cadeira ou até mesmo deitado no chão..

   Se preferir sentar-se no chão de pernas cruzadas aconselho a utilizar uma manta ou um tapete de meditação de maneira a que não fique em contacto directo com o chão, e ter uma ou duas almofadas para dar apoio à coluna, a coluna deverá manter-se direita e a cabeça ligeiramente inclinada para baixo de forma que não sinta a zona do pescoço sob tensão. Se preferir sentar-se numa cadeira então mantenha uma posição relaxada, mãos em cima das coxas de forma a que os braços fiquem em repouso. Se preferir deitar-se no chão tenha o cuidado de não adormecer pois é extremamente fácil adormecer uma vez deitado.

    Após a correcção da postura estamos prontos para meditar, devemos dar algo a nossa mente para que ela se ocupe durante o tempo da nossa sessão, tendo em conta que é a nossa mente é como um macaco irrequieto saltando de ramo em ramo, a nossa mente salta de pensamento em pensamento, se tivermos um pequeno problema mesmo que este não seja verdadeiramente um problema a nossa mente irá expandir o nosso pequeno problema para um problema gigantesco e irá ocupar-se 95% do tempo com esse problema fazendo-o crescer, isto faz com que estejamos constantemente preocupados. Há que acalmar a nossa mente e para isso é importante conhecer os estados da nossa mente e o que nos preocupa, se soubermos identificar esses estados então facilmente teremos a sabedoria para identificar os nossos problemas e poderemos direccionar a nossa energia e a nossa atenção para pensamentos e situações mais positivas na nossa vida.

   A prática da atenção na respiração como objecto de meditação é uma das formas mais eficazes de meditação e está directamente ligada ao nosso estado emocional. Se tivermos o cuidado de observar o ar que entra no nosso nariz veremos que sentimos muito mais para além do ar que entra e que sai. Pode optar por contar o numero de expirações, conte um assim que terminar um ciclo de inspiração e expiração, por exemplo inspire e expire conte um, inspire e expire conte dois e assim sucessivamente até dez, e volte ao inicio, se algum pensamento se colocar pelo meio não desmotive é normal e acontece frequentemente, tudo o que tem de fazer é relembrar-se da sua respiração e voltar a dar-lhe atenção e recomeçar a contagem. O importante é que mantenha a atenção na sua respiração e dia após dia irá sentir mais controle nos seus pensamentos e conhecendo os diversos estados da sua mente, por fim quero desejar-lhe boas meditações.

Sabes que me encontro longe?
À distância de uma madrugada exausta
Consumida pelo fogo da noite
Nos meus ombros, um casaco envelhecido
Observo o tempo que passa devagar
Está frio e escondo a cara
Procuro a liberdade neste papel branco
Se a encontrar mantenho-a em cativeiro
Sob as correntes apertadas do mundo
Os olhos fechados, discutem com a escuridão
Rasgam a noite que há em mim em mil pedaços
Confundem-se ou fundem-se
Com o apagão nocturno
Não, não é Setembro
É apenas uma noite familiar
Onde caio e me levanto
Como uma maldição
Não preciso de ir buscar inspiração a lado algum
As palavras vêm ter comigo
Crescem aqui dentro
Um fardo pesado que cicatriza lentamente
Por vezes finjo que passa
Outras descaio-me nas palavras
Como se escorregasse na chuva
Ou se caísse no chão coberto de destroços de guerra
Sabes, longe não é assim tão longe
Volto para trás e avanço
Hipnotizo o tempo
E faço dele o meu aliado
Não quebro a espada
Não desfaço a alma
Não parto nada que não esteja partido
Olho a noite a passar
Vejo-a escrita
As minhas palavras movem-se silenciosas
Como um navio que tenta alcançar uma terra distante
Uma paz utópica
Uma feitiçaria
Um qualquer poder nocturno

Se o som das palavras que me amarram
Pudesse alguma vez soltar-se
Eu descreveria com a minha voz
Uma dor que já não dói
Falava em voz alta e de cabeça erguida
E então ouviam-se as palavras
Ouviam-se histórias contadas aos cantos
De quem ama como ama o amor
De quem sofre lentamente
Mesmo que me fizesse chorar
Pois um homem também chora
Também se entristece
Também sente quando alguém não está presente
Se as palavras se soltassem
Eu voava sem ter medo da altura

Se eu não fosse
Seria um sinónimo de coisa nenhuma
Então, também eu não teria acontecido
Não seria
Seria puramente nada
Mas seria um vazio implorante de tudo
Eu seria um vazio chato e reclamante
Mas nunca me perderia
Eu seria o silêncio
Seria a semente do acordar
Que não adormecia
Mas que queria florescer
Ah… Se eu não fosse nada
E o mundo fosse tudo?
Será que eu queria ser?
Não…
Não queria todos os dias o ritual do mundo
E aquela saudade do vazio, do nada
Iria  certamente aborrecer-me
E transformar-me no tudo que sou

Dias de mar
Dias de terra
Nós de cabeça baixa
A olhar para o nada
Sozinhos com pouco no bolso
Uma casa desarrumada
Os amigos na vida
E o que dela resta
Consome-se o tempo e o mundo
Espalha-se lentamente a eutanásia pelas ruas da cidade
Onde ninguém já brinca
Onde não se vêem as crianças jogar
Só os ateus cabisbaixos nos seus telemoveis
Desfeitos de vaidade e parvoíce
Jazem velhos e apodrecidos
Numa rua de merda
Onde ninguém se fala
Onde ninguém se conhece
E todos se desfazem lentamente

Sem origem o desassossego
Vai e volta como as ondas do mar
Um vai e vem de intrusão
E como se não bastasse não estás aqui
Nem vais estar
Como se não bastasse
Não há sossego
Mas vive-se
Respira-se o mar que continua de azul turquesa

Vive-se a cidade de várias cores
E o desafio está nas palavras
Que por existirem não sossegam
Não morrem…
Deslumbram-me…
E o relógio não pára
Não morre
Passa o ponteiro e não se vê o tempo
Não volta
Mais um poeta que morre 
Mais outro que nasce
Mais palavras
Mais e mais sentidos
E o sangue que escorre
Que coagula
Que vive
E o desassossego que abafa o mundo
Perde a fome de vez em quando
No seu próprio lamento

Lamento para mim ter perdido aquele sabor
O sabor de saber amar
Talvez não consiga amar já
É a definição de tristeza pura
Leva-me aonde não fui
Leva-me à ternura desse saber
Dessa moda intemporal
Não quero o espaço do vazio
Não quero as palavras não escritas
Não ditas
Talvez o sabor tenha ficado preso no tempo
Congelado num continente distante
A minha cara parece não mostrar o que sinto
Mas não…
Os meus olhos não me mentem
Apenas me assustam
E desesperam
Caem no infinito
Desmontam-se em peças
Abrigam-se ocultos